![]() |
(Foto: Marina Silva/CORREIO) |
O mosquito Aedes Aegypti
continua sendo uma preocupação e o maior problema que ele tem causado
atualmente na Bahia é a Chikungunya. De acordo com a Secretaria de Saúde do
Estado (Sesab), até o dia 4 de julho foram notificados 37.027 casos da doença
no estado. Só para se ter uma ideia, os números de casos suspeitos de Zika e
Dengue neste mesmo período foram 1.754 e 7.685, respectivamente.
Duas pessoas já morreram este ano por causa da
Chikungunya, sendo uma em Buerarema, no Sul baiano, e outra em Itiúba, no
Centro Norte. O maior número de casos, no entanto, está concentrado no
Extremo-Sul da Bahia, totalizando mais de 57% dos casos de Chikungunya
notificados até então.
Num total de 2.991 amostras coletadas no intervalo de
três dias neste mês, 1.672 destes casos (55,9%) já foram identificados como
positivos até o momento. Dos 417 municípios baianos, 169 registraram casos
suspeitos, sendo que em 156 deles foi comprovada a circulação viral.
Para o professor do Instituto de Saúde Coletiva da
Universidade Federal da Bahia (ISC/Ufba), o médico epidemiologista Guilherme
Ribeiro, a explicação para a diferença entre os números de Chikungunya, Zika e
Dengue está no fato de que o vírus transmitido pelo mosquito tem capacidade de
gerar imunidade.
“Uma vez que uma pessoa
é infectada pelo vírus, ela fica imune. Como tivemos uma infestação intensa de
Zika e Dengue em 2015, as pessoas estão com a susceptibilidade menor, enquanto
a Chikungunya pode ter circulado menos intensamente”, esclarece. Ainda segundo
o professor, existem outras explicações. “É possível que, como a Zika e a
Dengue pertencem à mesma família de vírus, uma gere um grau de proteção contra
a outra”.
De 2016 até o início de janeiro deste ano, 53.146 casos
de Chikungunya foram registrados na Bahia. Desses, 39.835 registrados no primeiro
semestre. O número de pouco mais de 37 mil, anunciado agora, embora um pouco
menor, é preocupante. “Claro que isso preocupa, não é uma coisa pequena. A
Chikungunya tem possibilidade de gerar dores articulares crônicas, que podem se
arrastar por anos. Diferente da dengue, ela pode ter essa cronicidade”,
compara.
O Boletim Epidemiológico
da Sesab aponta que, do total de casos notificados na Bahia, mais de 60% foram
identificados em pessoas do sexo feminino. A faixa etária com maior incidência
foi entre 20 e 39 anos, representando 35,3% dos casos suspeitos.
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde (MS) são de
maio e não registram casos notificados de chikungunya, mas os casos prováveis
em todo o país somavam 80.949, enquanto a Bahia tinha 5.480.
Salvador
Em Salvador, a Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (DVIS/SMS) encontrou, entre maio e junho, 171 casos suspeitos da doença em cinco ruas de três bairros localizados no Subúrbio Ferroviário – Alto de Coutos, Coutos e São João do Cabrito. Das 41 amostras de pacientes coletadas nesses locais, 27 apresentaram resultado positivo para a Chikungunya. A maior parte foi confirmada em Coutos, com 22 casos reagentes.
Em Salvador, a Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (DVIS/SMS) encontrou, entre maio e junho, 171 casos suspeitos da doença em cinco ruas de três bairros localizados no Subúrbio Ferroviário – Alto de Coutos, Coutos e São João do Cabrito. Das 41 amostras de pacientes coletadas nesses locais, 27 apresentaram resultado positivo para a Chikungunya. A maior parte foi confirmada em Coutos, com 22 casos reagentes.
O epidemiologista explica que, historicamente, a região
do Subúrbio tem sido uma área com ocorrência elevada de dengue por causa da
deficiência de acesso a saneamento básico.
“Relativa a outras áreas da cidade, a região do Subúrbio
tem maior acúmulo de materiais, sobretudo próximo à ferrovia. Nós sabemos que,
por mais democrática que essas doenças possam ser, os mosquitos gostam de água
parada”, ressalta. Por isso, os locais com maior degradação por acúmulo de lixo
têm maior probabilidade de manifestação da doença.
Pesquisa
Um estudo liderado pelo professor Guilherme Ribeiro concluído no ano passado e publicado na revista internacional Parasites & Vectors indica que os bueiros – as chamadas bocas de lobo – da cidade acumulam água parada e são potenciais focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Um estudo liderado pelo professor Guilherme Ribeiro concluído no ano passado e publicado na revista internacional Parasites & Vectors indica que os bueiros – as chamadas bocas de lobo – da cidade acumulam água parada e são potenciais focos do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Os pesquisadores observaram 122 bueiros de bairros como
Cabula, Brotas, Pituba e Piatã para verificar com que frequência a água fica
acumulada servindo como criadouro de mosquitos. Em 40% das bocas de lobo, o
grupo verificou que havia ambiente de proliferação, onde foram entradas
espécies em fases adultas e larvais. No bairro de Piatã, os moradores de uma
comunidade fechada colocaram concreto para elevar o chão do bueiro ao mesmo
nível do tubo de drenagem.
Após a intervenção, a equipe retornou ao local e
constatou que a presença de água nos bueiros do bairro reduziu
substancialmente. “Essa ideia pode ser expandida para a cidade como um todo,
uma vez que é uma medida a longo prazo, diferente do larvicida que precisa de
aplicação constante”, justifica Ribeiro.