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O ex-senador
Delcídio do Amaral (sem partido-MS) comemorou sua absolvição pela Justiça
Federal em Brasília e disse nesta sexta-feira (13) que agora terá outro
desafio: reaver seus direitos políticos, cassados quando ele perdeu o mandato
em maio de 2016, pois estuda voltar à política.
Delcídio foi
absolvido nesta quinta (12) pela Justiça Federal em Brasília em uma ação penal
em que era acusado de ter participado de um esquema para comprar o silêncio de
Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras que virou delator na Lava Jato.
O
ex-presidente Lula e outros cinco réus também foram absolvidos no mesmo
processo pelo juiz federal Ricardo Leite, que entendeu que não havia provas
contra eles.
A reportagem
falou com o ex-senador nesta tarde, após ele participar de uma audiência para
fiscalização do cumprimento das medidas acordadas com a Justiça no seu acordo
de delação premiada.
A partir de
agora, Delcídio não deverá mais se apresentar bimestralmente à Justiça em
Brasília e deverá começar a prestar serviços comunitários em Campo Grande (MS),
onde vive com a família. Em setembro, o ex-senador deverá pagar a segunda
parcela anual da multa imposta em seu acordo de delação, que totaliza R$ 1,5
milhão.
Delcídio
disse que soube da absolvição nesta quinta, por telefone, enquanto estava na
fazenda de gado nelore de propriedade de sua família na região de Corumbá (MS).
Ao juiz Ricardo Leite ele contou que tem se dedicado à sua nova atividade de
fazendeiro, e tem gostado da vida no campo.
'BOI DE
PIRANHA'
O ex-senador,
que era líder do governo Dilma Rousseff quando foi preso, em novembro de 2015,
após ter sido gravado pelo filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, disse que se o
episódio fosse hoje, com os novos rumos dados à Lava Jato, não teria ido para a
cadeia.
Para
Delcídio, sua prisão ajudou a deflagrar a crise política que culminou no impeachment
de Dilma, no ano seguinte. Ele comparou sua situação à do senador Aécio Neves
(PSDB-MG), gravado por Joesley Batista, da JBS.
"Aquilo
[sua prisão] foi o estopim, ali caiu o mundo. Ali, eles [investigadores]
entraram no Congresso. No meu caso foi o seguinte: 'Vai o Delcídio de boi de
piranha para salvar todo mundo'. Quando veio o Aécio foi: 'Segura o Aécio senão
vamos nós'", disse.
O ex-senador
criticou o processo em que foi denunciado por obstrução da Justiça. "Você
fala em obstrução de Justiça. Aí você pega o depoimento do Nestor [Cerveró] e
ele fala que a delação dele não alterou em nada. Então, era a tese do crime
impossível", afirmou.
Delcídio
ainda é réu em outra ação em penal, sob responsabilidade do juiz Sergio Moro,
sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro na compra da refinaria de
Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras. "Ali foi caixa dois",
disse ele.
Questionado
sobre voltar à política, Delcídio fez um paralelo entre seu caso e o do
ex-senador Demóstenes Torres (PTB-GO). Demóstenes também foi cassado por seus
pares, na esteira de um escândalo envolvendo ligações com o empresário Carlos
Cachoeira, e conseguiu no STF (Supremo Tribunal Federal), em abril deste ano, o
direito de se candidatar.
Delcídio
disse que a investigação sobre Demóstenes foi arquivada. "Eu fui
absolvido. É muito mais forte", afirmou.